domingo, 20 de junho de 2010

Coisas que não precisamos contar

São inúmeras as perguntas que aparecem na mente, principalmente ao se defrontar com situações onde você percebe que poderia ter tomado decisões diferentes, poderia ter deixado de fazer isto ou aquilo e até, quem sabe, evitar o fim trágico que as coisas geralmente tendem a tomar. É um dia que você vai dormir com um sorriso e outro dia que você acorda se perguntando porque acordou. Não que a maioria das pessoas deseja dormir pra nunca mais acordar, Deus me livre disso. Mas sim, porque o sono não se prolongou mais, apenas para nos proporcionar mais dos sonhos. Sonhos onde se pode manipular os fatos, as pessoas, os sentimentos. Sonhos onde se pode sentir segurança, livre de qualquer risco emocional, racional, longe de todo e qualquer risco. Sonhos onde podemos receber esse ou aquele abraço, onde podemos sentir aquele toque, ouvir o timbre daquela voz, onde podemos visitar e revisitar pessoas e matar pelo menos um pouquinho a saudade. E é por isso mesmo que se chamam sonhos. São apenas projeções das nossas vontades, coisas que podemos inventar ou querer sem precisar contar nada à ninguém.

Eu vivia muito de sonhos. Mas se me perguntassem: e hoje? Prefiro viver na realidade, como todo mortal normal. Alguns sonhos sim, o que não dá é ficar fantasiando para sempre. Até porque o tempo não permite que se perca tempo apenas pensando, apenas querendo. O verbo é agir. Sempre foi. É preciso ter coragem, é preciso ter atrevimento, dar a cara para bater. Mesmo se o tapa for mais dolorido do que o imaginável. E aí, meu querido, é preciso ter resistência para aguentar e saber quando desistir. E essa é a pior parte.

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