segunda-feira, 21 de junho de 2010

Todas essas vontades

Todos os mesmos clichês, as mesmas sensações que só mudam de intensidade e de causa. Você se apaixona e se lança de cabeça numa coisa que só pode ter dois fins: ou é ou não é. Você já sabe exatamente pelo o que terá que passar, você sabe porque já passou por isso outras vezes.

As pessoas não precisam de uma dose extra de tédio em suas vidas. Elas querem o inexplicável. Querem sentir expectativas. Querem o êxtase, a excitação, o desconhecido. Não tem graça quando se conhece as etapas. Não tem graça estar sobre o controle de tudo. De certa forma o desconhecido deslumbra, desperta curiosidade. Quando não sabemos o que vai acontecer, o que devemos fazer, uma onda de medo e adrenalina toma conta do nosso corpo. E é aí que está a beleza. É isso que impulsiona tantas pessoas a fazerem coisas que até então se sentiam incapacitadas, é o que as faz quebrarem as barreiras, superarem o limite todos os dias.

E é isso que eu quero. Acordar demanhã e ser impulsionada para fora da cama, por um estusiasmo tamanho que se prolongue pelo dia inteiro. Ser obrigada a abandonar meus medos, sem deixar de sentí-los. Quebrar as barreiras, enlouquecer em silêncio. Ter brilhos nos olhos, coração apertado, respiração ofegante. Sentir saudade e poder matá-las no seu abraço. Te olhar nos olhos e lhe mostrar, sem precisar pronunciar palavras para isso, que você é a pessoa mais linda que eu poderia ter encontrado. Sentir teu cheiro na minha roupa na manhã seguinte. Fazer carinho enquanto você descança a cabeça no meu peito, beijando com ternura meu pescoço. Mexer no seu cabelo, te revirar por inteiro, descobrir teus sentimentos. Te mostrar do desconhecido o pouco que conheço. Poder sentir segurança enquanto sinto que não estou mais no comando. Eu não quero denovo um amor entediante. Eu quero que você venha e me mostre que ainda dá tempo de inovar.

domingo, 20 de junho de 2010

Coisas que não precisamos contar

São inúmeras as perguntas que aparecem na mente, principalmente ao se defrontar com situações onde você percebe que poderia ter tomado decisões diferentes, poderia ter deixado de fazer isto ou aquilo e até, quem sabe, evitar o fim trágico que as coisas geralmente tendem a tomar. É um dia que você vai dormir com um sorriso e outro dia que você acorda se perguntando porque acordou. Não que a maioria das pessoas deseja dormir pra nunca mais acordar, Deus me livre disso. Mas sim, porque o sono não se prolongou mais, apenas para nos proporcionar mais dos sonhos. Sonhos onde se pode manipular os fatos, as pessoas, os sentimentos. Sonhos onde se pode sentir segurança, livre de qualquer risco emocional, racional, longe de todo e qualquer risco. Sonhos onde podemos receber esse ou aquele abraço, onde podemos sentir aquele toque, ouvir o timbre daquela voz, onde podemos visitar e revisitar pessoas e matar pelo menos um pouquinho a saudade. E é por isso mesmo que se chamam sonhos. São apenas projeções das nossas vontades, coisas que podemos inventar ou querer sem precisar contar nada à ninguém.

Eu vivia muito de sonhos. Mas se me perguntassem: e hoje? Prefiro viver na realidade, como todo mortal normal. Alguns sonhos sim, o que não dá é ficar fantasiando para sempre. Até porque o tempo não permite que se perca tempo apenas pensando, apenas querendo. O verbo é agir. Sempre foi. É preciso ter coragem, é preciso ter atrevimento, dar a cara para bater. Mesmo se o tapa for mais dolorido do que o imaginável. E aí, meu querido, é preciso ter resistência para aguentar e saber quando desistir. E essa é a pior parte.